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O Masters 1000 de Xangai terminou no último domingo com mais um confronto entre Federer e Nadal, e mais uma vitória do suíço sobre seu principal rival, a quarta no ano. Essa também é quinta vitória seguida de Federer contra o espanhol, maior sequência de sua carreira (Nadal conseguiu cinco vitórias seguidas contra Federer em três oportunidades).

O duelo entre as lendas é considerado por muitos a maior rivalidade da história do tênis. No entanto, mesmo com as cinco vitórias consecutivas de Federer, o confronto continua desequilibrado em favor do espanhol: 23×15.

Apesar de estarmos falando de Roger Federer, considerado o melhor da história, sempre foi notável sua dificuldade contra o Nadal, que fazia a festa em seu backhand e conseguia quase sempre ganhar os pontos importantes, minando a confiança do Federer. Então, a pergunta que fica é: o que mudou? Por que Nadal não consegue mais vencer o suíço, ainda mais em um momento em que Federer já passou a marca dos 36 anos de idade? Temos algumas respostas.

Mudança no plano de jogo de Nadal

Depois de um 2013 praticamente perfeito, Nadal voltou a ter problemas físicos e sua confiança caiu bastante. Em 2015, enfrentou uma grande queda no ranking e passou a ser superado com muito mais frequência do que estava acostumado. Ao passo que envelhecia, tentava se tornar mais agressivo para não depender tanto de seu físico e repetir grandes resultados fora do saibro, como em 2013. A proposta voltou a ganhar força em 2017, mas acabou tendo problemas justamente com um adversário que costumava ter muita vantagem.

Ao ficar um passo à frente do que estava acostumado, Nadal passou a sofrer mais com as bolas vencedoras do suíço. Como correr atrás no placar é sempre mais complicado, a história dos jogos começava e terminava em favor de Federer, tanto que nos últimos 3 jogos, Nadal não ganhou nenhum set e sequer levou alguma parcial ao tie-break.

Backhand, devolução afiada e saque com a nova raquete do Federer

Federer mudou sua raquete no meio da temporada 2013, voltou atrás, e voltou a mudar para 2014. A ideia de melhorar seu saque e dar mais potência ao seu forehand acabou surtindo efeito a partir de 2014, ano em que voltou a brigar por grandes títulos. Daquele ano até o momento, foram 6 confrontos entre Federer e Nadal, com 5 triunfos do suíço.

A bola alta na esquerda do Federer parou de ser um incômodo a partir do momento em que ele deu um passo pra frente e passou batê-la na subida e na cruzada, sem dar tempo para que o Nadal se equilibre para acelerar seu forehand.

A devolução de saque também foi uma mudança importante no jogo do Federer. Nadal sempre procurou mais a esquerda do suíço em seus saques. Antes, a devolução vinha com slice, buscando bloquear o serviço. Agora, Federer busca sempre devolver com o backhand batido, cortando o tempo do rival e não permitindo um ataque logo na segunda bola.

Mudança no panorama dos encontros

O principal motivo dessa mudança de resultados passa pela confiança de ambos os tenistas num confronto entre eles. Nos primeiros duelos, Federer era o número 1 do mundo e chegava nas decisões dos torneios de todas as superfícies, enquanto Nadal ainda era um tenista muito bom no saibro, mas com alguma dificuldade em superfícies rápidas. O resultado foi que eles passaram a se encontrar muito mais vezes no saibro, e as vitórias constantes de Nadal (o placar na terra é 13×2 para o espanhol) certamente mexeram com a cabeça do suíço. Federer recentemente declarou que atribui a derrota de Wimbledon em 2008 ao chocolate que havia tomado em Roland Garros um mês antes.

Nos últimos confrontos, a tendência se inverteu. Enquanto Federer escolheu a dedo os torneios que participaria, Nadal marcou presença em todos os grandes campeonatos e, mais que isso, foi muito longe na maioria deles. Com isso, os últimos confrontos deles foram sempre em quadra dura e, pelo menos 3 deles, em condições muito rápidas, cenário que favorece o suíço.

Além disso, a cada vitória conquistada por Federer sua confiança aumenta para o próximo jogo. E isso também influencia a vida do Nadal, que a cada vez que sai atrás do placar, lembra-se do histórico recente de derrotas.

Federer e Nadal estarão juntos em mais dois torneios esse ano, caso nenhum deles desista de participar: Masters 1000 de Paris e ATP Finals. Os dois são em condições que, teoricamente, favorecem o estilo de jogo do Federer.

O que resta ao fã de tênis é aguardar os próximos capítulos dessa rivalidade e curtir cada confronto, que não devem ser tantos assim até o final de suas carreiras.

Foto: divulgação/ATP

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