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O primeiro Grand Slam do ano chegou ao fim neste domingo e já deixa saudades. Da redenção de Carol Wozniacki à consagração de Roger Federer, o Australian Open 2018 será lembrado por jogos interessantes, muitas reviravoltas na chave feminina e mais um feito conquistado pelo maior nome do tênis masculino da história.

A nova velha número 1

Carol Wozniacki nunca mais será questionada sobre ser número 1 do mundo sem Grand Slam. A dinamarquesa, que foi número 1 por 67 semanas entre 2010 e 2012, era constantemente questionada sobre a ausência de ao menos um Major em sua sala de troféus. Ainda que tenha ficada no topo do ranking por mais tempo que Maria Sharapova, Kim Clijsters e Venus Williams juntas, faltava à Carol a conquista de Grand Slam. Não falta mais.

O torneio feminino foi muito mais interessante que o masculino. A chave já começou mais atrativa, com várias tenistas com chances de alcançar o topo do ranking. Quando a então número 1, Simona Halep, machucou o tornozelo logo na primeira rodada, parecia que seria sua despedida da liderança do ranking. Que nada. A romena ainda protagonizaria as melhores partidas da competição, salvando match points na terceira rodada no jogaço contra Lauren Davis e também na semifinal em uma partidaça contra Angelique Kerber, quando se classificou para enfrentar a Wozniacki na grande final.

Assim como a romena, Wozniacki também teve seus altos e baixos antes de chegar à decisão. De algum modo, ela conseguiu sair de um buraco de 5-1 e 40-15 no terceiro set da segunda rodada contra Jana Fett, conquistando uma vitória improvável àquela altura. A partir desse momento, Carol cresceu na competição e só teve seu título ameaçado na grande final. E que jogo. Grandes jogadas, reviravoltas no placar, jogadoras em seus limites físicos e mentais. Enfim, tudo que o fã de esporte gosta. Wozniacki venceu o tie-break do primeiro set em um jogo até então muito bem jogado. A partir daí, Halep sentiu o desgaste de seus últimos jogos, teve cãibras e até sua pressão caiu devido ao calor. Teve sete break points contra na parcial e de alguma maneira conseguiu salvar todos. Mais que isso, quebrou a dinamarquesa na única oportunidade que teve e levou o jogo para o terceiro set.

Na parcial decisiva, Wozniacki abriu 3-1 e parecia ter o controle total do jogo. Mas não foi assim. Na hora de correr na frente, a dinamarquesa voltou a jogar apenas passando bolas para o outro lado e viu sua adversária virar o placar para 4-3, com uma quebra de vantagem. Carol, porém, sabia que o campeonato estava em sua raquete, voltou a jogar bem e fechou a parcial em 6-4. Vitória da dinamarquesa, que, apesar de seu discurso pouco empático para com sua adversária, será a partir de agora a número 1 do mundo com Grand Slam no currículo.

Federer faz história…de novo

Diferentemente da campanha de 2017, quando enfrentou uma série de adversários perigosos e jogos dramáticos, Roger Federer teve vida bem mais fácil nesse ano. Em sua caminhada para a defesa do título, o suíço não enfrentou nenhum top 10 para alcançar a decisão. Nesse caminho, aliás, ninguém lhe tirou sequer um set. A final, no entanto, foi bem diferente. Com um início avassalador de Federer e do claro nervosismo de Marin Cilic, o primeiro set foi rápido e tranquilo para a conta do suíço. No entanto, pouco a pouco, Cilic se encontrou no jogo e passou a defender seu saque com mais tranquilidade e levou o segundo set após um tie-break bem apertado.

A partir daí, Federer passou a dominar a partida, venceu o terceiro set e abriu 3-1 na quarta parcial, chegando perto de seu sexto título na Austrália. Porém, jogou um game de saque bem abaixo de seu padrão e cedeu a quebra. Era a brecha que o Cilic precisava para voltar ao jogo. Vencendo 5 games seguidos, o croata levou a decisão ao 5º set e colocou muita pressão no primeiro game de saque do suíço, que salvou break points naquele momento. Mais tarde, Federer disse que dificilmente conseguiria voltar ao jogo caso sofresse aquela quebra, já que Cilic dominava as ações e jogava melhor naquele momento. Por fim, Cilic acabou sucumbindo à experiência de Federer e venceu apenas um game da parcial decisiva.

Dizer que Federer faz história é chover no molhado. Com o 6º título na Austrália, ele se torna o maior vencedor do torneio, ao lado de Djokovic e Roy Emerson. Com o 20º Grand Slam no bolso, ele amplia ainda mais a distância para Nadal, que tem 16 conquistas. Federer ainda terá a chance de ser o número 1 do mundo mais velho da história (recorde que pertence a Agassi, número 1 com 33 anos e 131 dias) caso jogue e vença o ATP de Dubai, que começa no fim de fevereiro. Se optar por não jogar, basta que Nadal não alcance a final em Acapulco para Federer liderar o ranking novamente.

Mesmo aos 36 anos de idade, Federer segue quebrando recordes, fazendo história e encantando o público por onde passa. A ideia de “vamos apreciar enquanto ele ainda joga” continua válida, mas a grande é verdade é que todo mundo já percebeu que Roger Federer é eterno.

 

Imagem: Ben Solomon/Tennis Australia/Divulgação ATP World Tour

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